Quarta série
em 1966; a escola pública ensinava com extrema dedicação: Educação Moral e Cívica, matéria na qual, dentre outras práticas,
cantava-se o Hino Nacional hasteando a Bandeira uma vez por semana. E havia programação
bem elaborada nas datas cívicas (era época da ditadura).
Criança
negra, naquele tempo, não sabia o que era ditadura e tinha uma noção muito vaga das implicações de “ser negro”. Mas, sabia bem que
deveria: Amar a Pátria! Não falar de
assuntos desconhecidos ou misteriosos. E obedecer às autoridades.
Na comemoração
da Independência daquele ano haveria
uma peça teatral, muito bem elaborada e ensaiada, com a turma da quarta série. Teria:
D. Pedro I, II, rainhas, princesas; roupagens bonitas, etc. As crianças estavam
eufóricas! Quem seria quem? O que vestiriam? O que fariam? Como iriam se sair?
Mas, um garoto negro sentado timidamente no
fundo da classe, estava desconfiado, assustado! Não queria se envolver, não
queria ser percebido. Havia tantas crianças na sala, ele poderia bem passar por
despercebido. Estava muito constrangido! Afinal,
que papel digno seria dado a um garoto negro de lábios grossos?
A
professora não conseguiu passar todas as orientações sobre a peça naquele dia. O
menino foi para casa, preocupado! Comentou vagamente o problema com a mãe que o acalmou dizendo-lhe
que aguardasse a sequência da situação.
No próximo
dia, a professora o chamou à frente da sala e pediu-lhe que fizesse o papel de
escravo. Explicou-lhe que os negros haviam sido escravos e que, ás vezes, eram
acorrentados pelo pescoço. Que ele era bem escuro exatamente como eram os
escravos. Que o papel seria muito fácil, pois não teria que dizer nada. O
menino sentiu seu coração disparar, ficou tão envergonhado que começou a chorar
baixinho. Os colegas estavam todos em volta da professora curiosos. Alguns
rindo baixinho, outros sérios. A professora explicou a ele que aquela seria uma
peça cívica e que precisava dele para o papel. Que havia outro garoto negro na
classe, mas era bem mais claro. Que ele seria a pessoa perfeita para a cena;
que tudo seria muito fácil e rápido. Só seria acorrentado pelo pescoço e
conduzido por alguns metros por um colega e que não iria machucar. (Que isso
não seria nada vergonhoso, pois era história do Brasil, que os escravos haviam
contribuído muito com a Pátria, etc.) O menino já não ouvia mais nada, só se via acorrentado pelo pescoço,
todos olhando, uns rindo. Ficou apavorado! Tinha apenas nove anos e achava aquela situação impossível de solucionar.
Foi para
casa chorando e pensando: “Certamente, minha mãe me indicará uma saída!”
Ao pisar em casa, contou aos prantos à mãe. Ela o acalmou dizendo que não precisaria
fazer nada na escola que o humilhasse! Que tudo terminaria bem; bastaria ele
ficar firme em sua decisão de não participar. (Mas, “o coração de mãe” ficou “partido” de dor pelo sofrimento do
filho! Ela sentiu que aquilo traria consequências)!
O garoto
passou a ser assediado pela professora e por colegas a cada dia durante o
período de ensaio da peça para que aceitasse o tal papel. Ele ficava
envergonhado, às vezes, chorava. Foi se fechado cada vez mais.
Quando
viram que ele não cederia, puseram outra criança “menos apropriada” no papel. Ele passou a ser desprezado abertamente por
vários colegas e pela professora. O tempo todo era acusado e julgado por não
ter contribuído para “o bem comum”.
Que aquilo era apenas uma peça. Que para o outro grato não foi problema
representar...
Essa situação
afetou profundamente a vida do menino, que poderia ter sido muito diferente, mais
feliz! Ele tinha grande
potencial a ser desenvolvido pela EDUCAÇÃO ESCOLAR, mas pegou aversão à
escola. Cresceu, sofreu, trouxe muita dor aos que o amavam! Já não está entre
nós!...
Não se pode julgar a
intenção da professora, mas, uma coisa é certa: Ela foi tremendamente insensível às necessidades de um garoto de
apenas nove anos de idade!
Com todos os obstáculos que a vida nos prepara,
ResponderExcluirconsigo superar as barreiras e passar a ter esperança ,
que tudo poderá ser melhor.
È muito bom ter alguém especial como você,
uma amizade , que posso contar sempre ,
que for preciso.
Que ,Deus não permita , que venha perder a
alegria de viver.
Que , eu possa ser benção
na vida de todos ,
que nossa amizade seja
pra sempre baseada na fé e no amor.
Um abençoado final de semana.
Beijos no coração e afagos na sua alma.
Evanir..
Obrigada Evanir pelo apoio! Um abraço!
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