segunda-feira, 29 de julho de 2013

Porque Negros se Submetem ao Racismo


                                                        (Algumas sugestões)

1.   Constrangimento.
2.   Necessidade de se adaptar para sobreviver.
3.   Achar que: o que ouvem ou percebem são fatos.  Que nada poderia ser feito a respeito. Muitos negros são submetidos a situações racistas desde que nascem. Eles não conhecem outra coisa.

Por exemplo: Qual brasileiro já ouviu dizer que: lábios grossos são bonitos (EM NEGROS)? Sim, leitor, é uma característica de negro. Porém, é vista como atraente quando – excepcionalmente - em pessoa branca.   É o caso de alguns artistas brancos de lábios grossos. O chamado na gíria de “bocão”, visto como sensual em brancos.

E, em negro? Percebe-se que muitos padrões “mentais” de belo / feio são impostos tanto a brancos quanto a negros. E que a maioria das pessoas os assimilam inconsciente, sem questioná-los. Elas apenas sentem que aquele é o padrão. Mas, não têm consciência de que aquilo lhes foi meticulosamente imposto.

Quando uma cultura é racista, muitas vezes, o que torna difícil de discernir o RACISMO é que: não é A ou B que é racista e sim o “caldo cultural”.  Este envolve a todos.

Veja um exemplo extraído de outro aspecto cultural, mas que é propício: Numa sociedade machista, não é o homem que é machista; o comportamento do povo se submete à cultura machista. O comportamento machista é visto por: homens, mulheres e crianças como a “única saída”. É o que eles conhecem; é simplesmente a maneira de se viver aprendida dentro daquele “caldo cultural”. Isso não significa que realmente não haja saída. A saída passa pela conscientização.

Certa vez, uma senhora moradora de região onde a cultura tem predomínio do machismo. Buscou ajuda (aconselhamento especializado) porque seus dois filhos: um menino e uma menina, ainda pequenos, estavam tratando-a com desprezo. Ela tinha bom relacionamento com o marido e ambos procuravam educar os filhos com carinho e respeito.  Assustada, relatou ao conselheiro a atitude dos filhos.  Logo ficou claro que o comportamento dos filhos era assimilação da cultura local. Mesmo que o pai, excepcionalmente, não tinha aquele comportamento de desprezo por sua mãe, eles tinham assimilado do “caldo culturalque aquela deveria ser a maneira padrão de se tratar uma mulher. A menina não tinha maturidade para entender que o mesmo tratamento dado à mãe seria dado a ela. Ela apenas estava repercutindo o padrão de comportamento diluído na cultura.

Por concepção da palavra não se pode declarar que o negro seja racista em relação a si próprio. Mas, sim que: o sistema cultural o induz a assimilar, aceitar e até ter por verdade, padrões culturais que o discrimine.

No Brasil estas características são ainda mais significativas porque não há definição clara que sirva de parâmetro: Não há definição clara de quem seja negro,  quem seja racista ou não. E, até mesmo do que seja racismo. Então, é como se o “racismo” fosse: Um “limo” com vida própria que envolvesse a todos.

Um dos principais ingredientes que poderá limpar esse “limo” é o CONHECIMENTO. Ele não é o bastante para solucionar todo o problema. Mas, a solução certamente passa por ele!

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Reunião Comunitária

Numa pequena comunidade, na qual parte da população era formada por negros.   Certo servidor público promoveu reunião comunitária para apresentação de resultados de seu trabalho em determinada área da saúde. A mesma foi amplamente divulgada e feita promessas de incentivos com premiação para que houvesse o maior número possível de pessoas presentes.  Seria realizada no Centro Comunitário da cidade, onde todos seriam bem-vindos. E para estudantes da Escola Pública seria obrigatória a presença.

Comparecimento: mais de 10% da comunidade, aproximadamente 500 pessoas chegaram.

O palestrante apresentou seus       relatórios de bom serviço prestado à comunidade, através de slides. (Usando projetor: Data Show).
 
 
Como Ocorreu:
 
Ilustrações positivas de saúde foram feitas com fotos ou gravuras de pessoas brancas, na maioria, louras: bebês bem cuidados ou adultos saudáveis. Olhos azuis eram predominantes.

Os exemplos de insalubridades, deformidades, feridas, degenerações, etc.; foram todos apresentados através de fotos dos negros do local. Mostrando os problemas sem “identificar” totalmente o rosto da pessoa.
 
Porém, muitos daqueles negros ou seus parentes estavam presentes na reunião. Cada um sabia qual era sua “foto” ou de seu familiar.

É claro que o profissional de saúde havia tomado o cuidado de pedir autorização (verbal) a cada um deles para usar suas fotos.

(Como poderiam dizer não? A maioria dos adultos e mesmo alguns jovens eram analfabetos. O profissional de saúde era o único em toda região que poderia socorrê-los em caso de necessidade. O que fazer, a não ser dizer, timidamente: - sim! Mesmo sem saber muito bem do que se tratava? “É certo, que ele branco, 'rico'; é inteligente e deve saber o que faz!” Pelo menos do ponto de vista dos que têm muito menos).

Durante o evento, ouvia-se a todo o momento sussurros e risadinhas constrangidas de pessoas na plateia. Identificando de quem seriam as fotos.
 
A premiação:

A identificação berrante de discriminação, bem aceita e ignorada por toda a comunidade, não parou por aí: houve o solene momento de premiação de crianças e adolescentes. Os quais tinham seguido algumas orientações de saúde durante determinado período.

Todos os que foram considerados ganhadores dos primeiros lugares eram dentre as crianças mais claras possíveis de serem encontradas no lugarejo. Estas foram honradas recebendo sua premiação das mãos de autoridades importantes da comunidade.  Individualmente, subindo uma a uma à plataforma. E  cada criança recebera a homenagem de diferentes cidadãos ilustres. Foram mais de 10 crianças premiadas.

Depois, surgiu um segundo lugar. Isso mesmo! Querido leitor! Um segundo lugar que: não parecia muito lógico porque era exatamente igual ao primeiro. Exceto por: ser formado totalmente por crianças e adolescentes negros. Estes foram chamados. Todos em um só grupo. E lhes foram entregue a premiação por uma só pessoa rapidamente!  
 
Nota:
Algumas características gerais -que não mudam o foco do assunto- foram alteradas ou omitidas com propósito de proteger a privacidade de todos envolvidos. O objetivo deste trabalho não é denunciar uma ou outra situação em particular. Mas sim, ajudar a estabelecer o perfil do racismo brasileiro.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

5. O Combate ao Racismo

Como o racismo brasileiro tem suas peculiaridades, até para ser combatido se torna diferente. Não deve ser visto como a luta de um grupo defendendo-se de outro.
Apesar de estarmos usando o termo racismo neste trabalho, por falta de outro, não é a luta de uma raça contra outra. Deve ser A LUTA DE TODOS. É vergonhoso para todos. Debate aberto sobre o racismo é fundamental na luta contra o mesmo. A ausência do debate é como no caso de uma doença grave que contamina a toda uma sociedade.  E,  por superstição; todos acham que se for pronunciado o nome da doença ou admitido que ela exista: Trará piores consequências. Não deve ser jamais, uma luta entre negros e brancos. Isso no Brasil não funciona. Porque, em certo sentido, (não se choquem os do topo da *Escala) somos todos negros. Todos somos parte do sistema! Até mesmo negá-lo já mostra envolvimento. Quando se está dentro de uma determinada situação fica mais difícil visualizá-la como um todo. Porque a visualização passa por vislumbrar a si próprio.
Certa reportagem na T.V., apresentou um grupo de determinada “tradição”. Formado por brancos de origem estrangeira o qual  não se misturava. Viviam isolados em zona rural. Eles disseram durante a entrevista que denominavam a todos os “brasileiros” de negros. Não importava a cor. Para eles era uma denominação genérica.
A discriminação racial sempre será a arrogância do ser humano contra seu igual. Que acabará sendo contra si mesmo. Ela sempre será tola, não importa se cometida por países ricos ou pobres; por pessoas cultas ou incultas. Sempre será má, e egoísta. E sempre, suas consequências maléficas recairão sobre todos. Em maior ou menor escala, mas sobre todos!
Com o debate, vamos perceber melhor o problema e encará-lo. Uma das razões que o racismo no Brasil não tem sido combatido eficazmente é porque ele ainda não foi compreendido totalmente. É necessário falar muito sobre o assunto, não só em datas especiais. Mas, o ano inteiro. É preciso fazer pesquisas de campo. Há margem para muitas pesquisas. O combate ao racismo deverá ter a “dura” tarefa de perceber que pessoas bem escuras são cronicamente humilhadas e reprimidas. E precisam se encaixar, relevando muitas situações por questão de sobrevivência!
A mídia poderia explorar vários fatos e ajudar a população a identificar o que realmente acontece. Há muitas coisas que poderiam facilmente ser abertas pela mídia e apresentadas ao Público. Por exemplo: Ponha duas pessoas, uma branca e outra negra, para fazerem uma pesquisa de preço de qualquer produto juntas. (Como duas amigas ou amigos). Verá que mesmo quando quem fizer a pergunta for a pessoa negra, a resposta será dirigida à branca. O vendedor olhará para a pessoa branca para dar a resposta. Ou ainda se as duas pessoas chegarem ao mesmo tempo num balcão de atendimento. Aparentando não estarem juntas, a tendência será atender à pessoa branca, primeiro.
Pode-se perceber que esses dois exemplos simples e facilmente visíveis são indícios do que acontece em situações mais significativas, excludentes e menos expostas. Pesquisas como essas poderão ser feitas em regiões diferentes que o resultado será semelhante. As conclusões poderão ser usadas em debates e busca de soluções. Uma boa parte da solução do problema de racismo nacional passa pela EDUCAÇÃO. Da mesma maneira que problemas de trânsito e de jogar lixo nas ruas.
Se, na busca de soluções, forem colocados em um só grupo - como é a tendência: negros e pardos. A injustiça será igual e os problemas permanecerão. Pois, no sistema cultural nacional, se em um lugar, cidade, região ou qualquer grupo social; a escala de gradação da cor for por exemplo: de 0 a 7 (negros a morenos...). Os morenos serão “os brancos” da "da vez" (ou menos negros). Os benefícios do clareamento serão dos que tiverem a posição mais alta na escala. A situação será praticamente a mesma.

terça-feira, 16 de julho de 2013

1. CORAÇÃO DE AÇO

Na praça pública, em uma das belas e ricas cidades do interior de São Paulo; a figura que passaria totalmente despercebida,  aproximou-se do local mais arborizado.  Buscava banco à sombra para  poupar-se do sol escaldante. Era uma mulher magérrima,  parecia mal ter forças para “carregar o corpo” esquelético! Sua aparência sugeria  doença terminal. Era jovem ainda, talvez, menos de 30 anos. Segurava algumas sacolas.
Ah...! Era negra!

Discretamente, como se estivesse distraída com a paisagem,  eu  tentava analisá-la criteriosamente: Que história aquele ser humano trazia? Quem era ela? Qual seria sua doença? Teria família?

Notei uma grande úlcera aberta na parte posterior da perna esquerda, quase à altura do tornozelo.

Tentei concentrar-me em minha própria realidade… Ia dar uma palestra sobre: Educação Infantil, numa escola próxima. Queria reler rapidamente os tópicos principais.  Apreciar brevemente a beleza da praça, e o frescor à sombra das árvores.

Para minha grande surpresa; de repente, como  quem faz  exatamente o que está programado: A mulher abriu as sacolas, dando início a uma transformação! Sobrepondo, meticulosamente,  novas roupas. Era tão magra que o excesso de  vestimentas não seria percebido. A nova indumentária era composta de: botas que lhe cobriram a chaga da perna, luvas, chapéu, etc. O chapéu, tipo boina,  escondera-lhe totalmente os cabelos. Por fim,  começou a  pintar-se com uma maquiagem a qual lhe dava a cor metálica do aço. Pescoço, orelhas, lábios, tudo se tornara totalmente metálica.

Era uma Estátua Viva! Daquelas que ficam imóveis em algum ponto agitado da cidade.

Para que?
Quem apreciasse sua arte, ou ficasse intrigado com a imobilidade. Ou talvez, até, se sentisse  penalizado por alguém que se expõe a tal situação, com um calor próximo aos 38 graus; depositasse-lhe algum dinheiro!

Ela terminou de preparar-se e saiu. Agora,  uma elegante estátua de  aço! Parecia alguém jovem, muito jovem! Seu tronco  mostrava-se bem liso. Aparentando estar sob aquela arte, um  saudável menino adolescente e não uma esquelética, lazarenta, mulher negra !

Fiquei meditando..., um pouco chocada e constrangida: aquela mulher era corajosa: ao invés, de ficar em casa, lamentando seu destino cruel.  Conseguiu liberar-se de tudo que a colocava  à margem! Pelo menos, por alguns momentos, era uma fascinante, reluzente, Estátua de Aço!

Posicionar-se-ia na parte mais movimentada da cidade, seria vista, seria apreciada por muitos! Intrigante para alguns!

Ela realmente tinha  um coração de aço

F. O Negro é Mais Corrupto que o Branco

Qualquer brasileiro, adulto já ouviu em alguma época o seguinte ditado popular: “Nego quando não caga na entrada caga na saída.

(Querido leitor perdoe-nos pela expressão tão grotesca. Seu uso se fez necessário devido ao forte sentido cultural que carrega).

Esse ditado é usado: geralmente para reafirmar a discriminação, no momento em que se percebe alguma decepção com alguém que seja negro. E, é claro que o uso de tal provérbio no momento exato em que os fatos parecem confirmá-lo; só fortalece e perpetua o preconceito.

Mas, o que acontece quando a pessoa a causar a decepção não for negra?

Não existe um provérbio equivalente para ela. Tal pessoa será vista apenas como um indivíduo que cometeu algum erro. Ela não representa um grupo, uma raça ou casta. É apenas ela mesma errada!

O momento político pode exemplificar com muita propriedade esse ponto: A maioria da população brasileira está insatisfeita com os políticos.  Muitos deles têm recebido “títulos nada honrosos.” Mas a nenhum é atribuído ao fato de terem frustrado as expectativas do povo brasileiro o “serem brancos.” Não, eles falharam. O povo está totalmente insatisfeito com quase todos. Mas, eles não representam sua cor. Na verdade a cor não tem nada a ver com o caráter da pessoa. Sempre haverá todo tipo de pessoas independente da aparência exterior!

O negro não é mais punido por ser mais corrupto. Ele é mais punido por ser negro. (SER NEGRO EM SI, JÁ É RAZÃO PARA SER TRATADO COM MAIS RIGOR.) Quem nunca ouviu- em algum lugar a frase: “Quem esse nego pensa que é?”

quinta-feira, 11 de julho de 2013

I. Negro é Pedante


O que esse nego pensa que é?

               Só podia ser nego!

Há neguinha metida?

Frases comuns no cotidiano! Às vezes, se dirigindo a própria pessoa em foco, na forma de “brincadeira”. Outras vezes, “nos bastidores”, em conversas com terceiros. Se referindo a características da pessoa negra.

Alguns maneirismos inerentes à individualidade. Que em pessoa branca, podem ser vistos, como charmosos ou engraçados; em pessoa negra são vistos como pedantes ou pretensiosos.

Por exemplo: Uma jovem que esteja na escala de cor ente 7 e 10 (morena clara ou branca) que tenha a voz doce e dengosa é: charmosa. Se for negra: É manhosa e não enxerga seu lugar. Isso pode custar-lhe um emprego! (Aquela história antiga de Boa Aparência a qual é extremamente subjetiva. Muitas vezes, é usada para escolha do candidato de acordo com sua posição na *Escala).

É útil refletir que: pessoas- negras ou brancas- podem ter personalidades, temperamentos ou “maneiras” das mais variadas possíveis. E que todas as características humanas, podem ser usadas de modo construtivo para o bem da própria pessoa e de outros. Para a pessoa que  é rejeitada, reprimida ou desprezada naquilo que é em essência- não em atitudes ou ações- mas em aspectos básicos, inerentes a si; tudo será muito difícil. Ela terá que lutar bem mais que outras pessoas por cada conquista.

                              Algumas situações exemplo:

1.   Uma auxiliar de enfermagem comentou que estava aplicando injeção em um paciente negro. O qual demonstrara muito medo. Após terminar o serviço, ela disse-lhe: “Não tem vergonha, um baita negão com medo de  agulha!” (Sentir medo é privilégio de alguns?)

 

2.   Certa jovem, após assistir à palestra cuja apresentadora era  negra. Fez o seguinte comentário público: “Quando vi a palestrante, fiquei horrorizada, senti vontade de ir embora! Mas, depois da apresentação. E, ouvindo opiniões de pessoas que já a conheciam há muito tempo; percebi que eu estava completamente enganada. Ela era muito boa no que fazia!” (Percebe-se que essa pessoa negra teve que provar... por si e através do respaldo de outros que já a conheciam há muito tempo). Esse é um exemplo de situação muito comum no dia-a-dia (mas de difícil comprovação).

3.   Um grupo de “mediadores”, em posição de autoridade (chefia), estava mediando um conflito entre duas pessoas (de posições extremas opostas na *Escala). Segundo eles, ambas eram excelentes no trabalho. Mas estavam tendo problemas de relacionamento. “Vazou” para os subordinados que em reuniões entre os “chefes” mediadores (na ausência das conflitantes) eles  se referiam à pessoa negra com os seguintes termos: “Então, essa neguinha se julga muito inteligente! O que ela pensa que é?” (Quem, o prezado leitor acha que foi considerado “justo” no conflito?)

É quase impossível comprovar uma atitude racista em particular. Porque há mil e uma desculpas para quase todo tipo de atitude. Por isso, continua-se negando viciosamente o racismo nacional. Mas, podem-se fazer inúmeros experimentos que o comprovem, analisando os seus resultados. Ou seja: a grande maioria da população brasileira diz-se não racista. Mas todos os resultados de racismo são vistos perfeitamente na pirâmide social. Então: comprovam-se o racismo, mais por suas consequências, que por atos isolados ou declarações pessoais.

·        *Veja nas primeiras publicações: Escala Cultural de Oportunidades de Ascensão Social X Cor

quarta-feira, 3 de julho de 2013

H. Racismo é Coisa de Americano

Em conversa informal, numa rodinha de amigos, colegas de trabalho ou durante intervalo escolar. Quando surge o assunto racismo ou discriminação racial. Em poucos segundos ou minutos, alguém evocará o racismo americano: “Ah! Eu vi num filme: Coisa horrível que os americanos fazem com os negros... ainda bem que no Brasil não é assim!” Essa mudança brusca de alvo nacional funciona como lenitivo. Desfaz-se o constrangimento. Mudando o foco de onde se tem responsabilidade para um lugar neutro. Podendo falar sem se sentir parte do problema ou culpado. Aliás, até enaltece! Não somos como eles. Nisto somos melhores! Exalta-se a cultura local. E, principalmente, rapidamente o debate se esgota!
Mas, será que o Brasil é superior aos Estados Unidos em ralação ao racismo?
             Entre Brasil e Estados Unidos:
            Onde o negro tem mais identidade?
            Onde ele ocupa posições diversas na política, empresariado, educação superior, etc.?
            Quantos políticos, médicos, advogados, empresários negros há no Brasil?
            E a memória? Quantas histórias interessantes, cativantes de como o negro chegou da escravidão até aqui? Suas lutas e superações? Quantos livrinhos de histórias infantis tendo o negro como protagonista há aqui? As representações do negro na cultura brasileira o enaltece ou diminui?
É claro que todas as perguntas acima são retóricas.
             Na verdade, o Brasil pode aprender muito com os Estados Unidos; mesmo levando em conta eles também terem seus problemas raciais a serem superados.
            Alguns exemplos do que pode-se aprender: Estados Unidos expôs as “mazelas” do racismo. Documentando e mostrando ao mundo através de filmes, livros, etc. Há uma “memória” bem nítida dos negros lá. A maioria do povo brasileiro sabe mais sobre o racismo americano que sobre o brasileiro. (Imagina-se uma pessoa que saiba muitos detalhes da história da família vizinha à sua casa. Mas, não saiba quase nada sobre a sua própria história).
Quando um problema é exposto e explorado; aprende-se a não permitir que aquela história triste e vergonhosa se repita. (É o que os judeus procuram fazer; trazendo à memória o holocausto).
O Brasil só tem perdido, tentando “dar um jeitinho” de negar o racismo nacional. Torna-se ridículo aquele que nega o óbvio!
Os americanos mostram “seus negros” como são em filmes. A maioria dos filmes no Brasil que mostra o negro “sem  nenhum constrangimento” é formada por filmes americanos. Não é um negro “idealizado”. É apenas negro!
No Brasil, salvo  exceções, o negro “da mídia” é “idealizado”: quase branco ..., a única coisa que o “denuncia” como negro é uma leve cor. Muito bem compensada por lábios e nariz finos. Esse negro falta muito pouco para ser “perfeito”! Seus traços estão mais para caucasiano que para negro. Um tipo raro, destinado ao sucesso. Será muito útil ao “jeitinho” que dirá: Está vendo! No Brasil não há racismo! Veja que negra(o) bonita(o) na novela tal...!”                       
Para que o Brasil mostrasse as *Misses Dasys da sua história, teria que superar o constrangimento nacional e encarar o negro como ele é. E, principalmente, fazendo o seu “papel” não só em filmes. Mas, principalmente, na VIDA REAL.
Uma das razões do negro brasileiro ter dificulta para se  "identificar" é a falta de memória.
*(Ref. Ao Filme: Conduzindo Miss Dasy que expõe aspectos do racismo na cultura  americana).
          Situação exemplo:
          Um grupo de estudantes adultos –todos ali se consideravam não racistas- assistia a um filme, em sala de aula, como atividade escolar. Dentre (30) trinta alunos, havia (03) três negros. A sala estava em silêncio! De repente, apareceu, em cena, um homem negro – com traços e características acentuadas de NEGRO. Uma gargalhada em uníssono quebrou o silêncio na sala! Não havia nada, na cena, que justificasse a gargalhada! A não ser que: ser NEGRO, abertamente NEGRO, totalmente NEGRO, desconcertantemente NEGRO… fosse a causa da GARGALHADA! (Após o ocorrido, nunca se ouviu, entre os alunos, qualquer comentário sobre o fato. Aquilo era um acontecimento corriqueiro! (Só este humilde blog ousa falar sobre o assunto!)

terça-feira, 2 de julho de 2013

G. Em Foto de Negro Só Aparecem os Dentes

A maioria do que diz respeito ao negro é vista, de maneira geral, com “desrespeito e deboche”.  Como se fosse dito: “Isto não é para negro. Mas, já que ele não se enxerga!

Só, bem recentemente, devido mais ao avanço tecnológico, que a um propósito, vemos, em mais larga escala, fotos de negros com luminosidade e contraste apropriados. Antes, usavam luminosidade, fundo, etc. adequados a brancos ao fotografarem negros. Certo fotógrafo disse que não gostava de tirar fotos de “pessoas morenas” (negras) porque não havia jeito de ficarem boas.

Aliás, a maioria dos produtos que deveriam ser diferenciados para se adequar melhor à cor  e características de negros ou morenos; não existem ou são caros e difíceis de serem encontrados. Às vezes, a pessoa passa por constrangimentos, tentando encontrar produto adequado. Mesmo estando disposta a pagar mais caro. E muitas vezes, não obtém êxito.

                              Situação exemplo:

            Uma jovem ia se casar. Procurou especialista para indicar maquiagem apropriada para ela. Para que suas fotos na cerimônia saíssem impecáveis! Como deseja toda noiva. A especialista indicou-lhe produtos de boa qualidade, próprios para pele negra. Ela começou a procurá-los em todos os lugares especializados da cidade com três meses de antecedência. A resposta era: “Nós trabalhamos com este produto, mas não para essa cor de pele. Faltando apenas uma semana para o casamento, ela o conseguiu porque  determinada loja aceitou fazer encomenda específica.” 

Pode-se argumentar: Mas, a maioria dos negros não tem poder aquisitivo para comprar “certos” produtos. Então, sendo isso verdade; é mais uma parte do problema e não resposta conciliadora e conclusiva.

Peça a algumas pessoas negras que saiam pelo comércio local.  Tentando comprar produtos para sua  cor de pele. (Serão alvo de piadas!)  Até, a maioria dos curativos plásticos cor da pele, vendidos no Brasil, é tão clara que justificaria a pergunta:  Cor da pele  de quem? Alguns poucos?

Uma foto de negro, bem tirada, exemplo: Negra com maquiagem apropriada. Fotos diversas de crianças negras. Fotos explorando as diferentes tonalidades da pele negra. As diversas maneiras de  arranjos com os cabelos; etc. São algumas das muitas possibilidades artísticas que ainda podem ser exploradas pela sensibilidade brasileira.

TODA a raça humana é -cem por cento- bela. Basta saber olhá-la!

A cor “negra”, dependendo da incidência da luz, se apresenta dourada! Ou em outros matizes belíssimos e muito interessantes. Pode-se decidir o que fazer com essa beleza! Só o ser humano tem a sensação do belo. E  esta sensação é: arte em potencial! 
Muitas crianças são orientadas a pintar figuras humanas com lápis rosa bem clarinho ou salmão. E tais cores já foram apelidadas, em muitas escolas primárias, de “cor de pele.” Isto causa constrangimento em crianças negras e pode causar rejeição à sua cor. (Uma menina negra ao ser lhe sugerido pintar uma gravura humana com a sua própria cor, sorriu encabulada e disse que deveria pintar com cor de pele como todo mundo pintava).