quarta-feira, 3 de julho de 2013

H. Racismo é Coisa de Americano

Em conversa informal, numa rodinha de amigos, colegas de trabalho ou durante intervalo escolar. Quando surge o assunto racismo ou discriminação racial. Em poucos segundos ou minutos, alguém evocará o racismo americano: “Ah! Eu vi num filme: Coisa horrível que os americanos fazem com os negros... ainda bem que no Brasil não é assim!” Essa mudança brusca de alvo nacional funciona como lenitivo. Desfaz-se o constrangimento. Mudando o foco de onde se tem responsabilidade para um lugar neutro. Podendo falar sem se sentir parte do problema ou culpado. Aliás, até enaltece! Não somos como eles. Nisto somos melhores! Exalta-se a cultura local. E, principalmente, rapidamente o debate se esgota!
Mas, será que o Brasil é superior aos Estados Unidos em ralação ao racismo?
             Entre Brasil e Estados Unidos:
            Onde o negro tem mais identidade?
            Onde ele ocupa posições diversas na política, empresariado, educação superior, etc.?
            Quantos políticos, médicos, advogados, empresários negros há no Brasil?
            E a memória? Quantas histórias interessantes, cativantes de como o negro chegou da escravidão até aqui? Suas lutas e superações? Quantos livrinhos de histórias infantis tendo o negro como protagonista há aqui? As representações do negro na cultura brasileira o enaltece ou diminui?
É claro que todas as perguntas acima são retóricas.
             Na verdade, o Brasil pode aprender muito com os Estados Unidos; mesmo levando em conta eles também terem seus problemas raciais a serem superados.
            Alguns exemplos do que pode-se aprender: Estados Unidos expôs as “mazelas” do racismo. Documentando e mostrando ao mundo através de filmes, livros, etc. Há uma “memória” bem nítida dos negros lá. A maioria do povo brasileiro sabe mais sobre o racismo americano que sobre o brasileiro. (Imagina-se uma pessoa que saiba muitos detalhes da história da família vizinha à sua casa. Mas, não saiba quase nada sobre a sua própria história).
Quando um problema é exposto e explorado; aprende-se a não permitir que aquela história triste e vergonhosa se repita. (É o que os judeus procuram fazer; trazendo à memória o holocausto).
O Brasil só tem perdido, tentando “dar um jeitinho” de negar o racismo nacional. Torna-se ridículo aquele que nega o óbvio!
Os americanos mostram “seus negros” como são em filmes. A maioria dos filmes no Brasil que mostra o negro “sem  nenhum constrangimento” é formada por filmes americanos. Não é um negro “idealizado”. É apenas negro!
No Brasil, salvo  exceções, o negro “da mídia” é “idealizado”: quase branco ..., a única coisa que o “denuncia” como negro é uma leve cor. Muito bem compensada por lábios e nariz finos. Esse negro falta muito pouco para ser “perfeito”! Seus traços estão mais para caucasiano que para negro. Um tipo raro, destinado ao sucesso. Será muito útil ao “jeitinho” que dirá: Está vendo! No Brasil não há racismo! Veja que negra(o) bonita(o) na novela tal...!”                       
Para que o Brasil mostrasse as *Misses Dasys da sua história, teria que superar o constrangimento nacional e encarar o negro como ele é. E, principalmente, fazendo o seu “papel” não só em filmes. Mas, principalmente, na VIDA REAL.
Uma das razões do negro brasileiro ter dificulta para se  "identificar" é a falta de memória.
*(Ref. Ao Filme: Conduzindo Miss Dasy que expõe aspectos do racismo na cultura  americana).
          Situação exemplo:
          Um grupo de estudantes adultos –todos ali se consideravam não racistas- assistia a um filme, em sala de aula, como atividade escolar. Dentre (30) trinta alunos, havia (03) três negros. A sala estava em silêncio! De repente, apareceu, em cena, um homem negro – com traços e características acentuadas de NEGRO. Uma gargalhada em uníssono quebrou o silêncio na sala! Não havia nada, na cena, que justificasse a gargalhada! A não ser que: ser NEGRO, abertamente NEGRO, totalmente NEGRO, desconcertantemente NEGRO… fosse a causa da GARGALHADA! (Após o ocorrido, nunca se ouviu, entre os alunos, qualquer comentário sobre o fato. Aquilo era um acontecimento corriqueiro! (Só este humilde blog ousa falar sobre o assunto!)

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