quarta-feira, 24 de julho de 2013

Reunião Comunitária

Numa pequena comunidade, na qual parte da população era formada por negros.   Certo servidor público promoveu reunião comunitária para apresentação de resultados de seu trabalho em determinada área da saúde. A mesma foi amplamente divulgada e feita promessas de incentivos com premiação para que houvesse o maior número possível de pessoas presentes.  Seria realizada no Centro Comunitário da cidade, onde todos seriam bem-vindos. E para estudantes da Escola Pública seria obrigatória a presença.

Comparecimento: mais de 10% da comunidade, aproximadamente 500 pessoas chegaram.

O palestrante apresentou seus       relatórios de bom serviço prestado à comunidade, através de slides. (Usando projetor: Data Show).
 
 
Como Ocorreu:
 
Ilustrações positivas de saúde foram feitas com fotos ou gravuras de pessoas brancas, na maioria, louras: bebês bem cuidados ou adultos saudáveis. Olhos azuis eram predominantes.

Os exemplos de insalubridades, deformidades, feridas, degenerações, etc.; foram todos apresentados através de fotos dos negros do local. Mostrando os problemas sem “identificar” totalmente o rosto da pessoa.
 
Porém, muitos daqueles negros ou seus parentes estavam presentes na reunião. Cada um sabia qual era sua “foto” ou de seu familiar.

É claro que o profissional de saúde havia tomado o cuidado de pedir autorização (verbal) a cada um deles para usar suas fotos.

(Como poderiam dizer não? A maioria dos adultos e mesmo alguns jovens eram analfabetos. O profissional de saúde era o único em toda região que poderia socorrê-los em caso de necessidade. O que fazer, a não ser dizer, timidamente: - sim! Mesmo sem saber muito bem do que se tratava? “É certo, que ele branco, 'rico'; é inteligente e deve saber o que faz!” Pelo menos do ponto de vista dos que têm muito menos).

Durante o evento, ouvia-se a todo o momento sussurros e risadinhas constrangidas de pessoas na plateia. Identificando de quem seriam as fotos.
 
A premiação:

A identificação berrante de discriminação, bem aceita e ignorada por toda a comunidade, não parou por aí: houve o solene momento de premiação de crianças e adolescentes. Os quais tinham seguido algumas orientações de saúde durante determinado período.

Todos os que foram considerados ganhadores dos primeiros lugares eram dentre as crianças mais claras possíveis de serem encontradas no lugarejo. Estas foram honradas recebendo sua premiação das mãos de autoridades importantes da comunidade.  Individualmente, subindo uma a uma à plataforma. E  cada criança recebera a homenagem de diferentes cidadãos ilustres. Foram mais de 10 crianças premiadas.

Depois, surgiu um segundo lugar. Isso mesmo! Querido leitor! Um segundo lugar que: não parecia muito lógico porque era exatamente igual ao primeiro. Exceto por: ser formado totalmente por crianças e adolescentes negros. Estes foram chamados. Todos em um só grupo. E lhes foram entregue a premiação por uma só pessoa rapidamente!  
 
Nota:
Algumas características gerais -que não mudam o foco do assunto- foram alteradas ou omitidas com propósito de proteger a privacidade de todos envolvidos. O objetivo deste trabalho não é denunciar uma ou outra situação em particular. Mas sim, ajudar a estabelecer o perfil do racismo brasileiro.

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